Brasileiro no Vale do Silício: Hostel, Bitcoins e Comida

Viagem para o Vale do Silício

Brasileiros no Vale do Silício

Há dezenas, como sempre. Contudo, eu posso falar apenas da minha história como brasileiro no Vale do Silício; é um trecho dela que se segue. Mas antes, gostaria de apresentá-los um antigo vídeo meu que rola no Youtube, no qual toco um rock bem brasileiro, a pedido de outros hóspedes do “hacker hostel” em que fiquei:

Hostel no Vale do Silício

Eu morei treze meses no Vale do Silício, nos primeiros dez dias fiquei num hostel conhecido como Chez JJ, mas o pessoas de lá era muito esquisito: estudavam em Oxford e se achavam melhor que todo mundo. Eu fui recebido por um cara estranho, chamado Bill. Ele atendeu à porte, se apresentou gemendo, mostrou a sala, cozinha e o quarto, que os dois cachorros pareciam partilhar. Depois dessa breve “conversa”, apontou para o armário e disse que lá ficavam as toalhas. Nos dez dias em que lá fiquei essa deve ter sido minha maior interação com ele, e olha que tentei viu! Me esforcei para que saísse alguma coisa do meu inglês tupiniquim, mas com todo aquele jeitão de brasileiro gente fina. Quanto foi à noite, fiz uma caipirinha e pensei “é agora que consigo fazer amizade”; ledo engado, o pessoal deu uma bebericada ensaiou um obrigado e mais nada.

Viagem para o Vale do Silício
Viagem para o Vale do Silício

Já ressabiado com a galera, comeceu a procurar outro hostel, foi quando achei o “Vic`s Hacker Hostel”, um lugar um pouco mais barato, com várias unidades ao longo do Vale do Silício e gerenciado por um camarado muito gente boa com o primeiro nome do “vaporup” (rs): Vic. Ele era um taiwanense que foi morar no Vale do Silício aos 12 anos de idade e compôs a equipe do Double Click quando este ainda não havia sido comprado pela Google. Aprendi muito com esse cara, que me deu diversos conselhos, desde ensinamentos para vida até dicas de negócio no Vale do Silício.

Bitcoins no Vale do Silício

Já na minha primeira semana no hostel do Vic, em Sunny Vale, fiquei sabendo que lá era perto de uma famosa incubadora: a Plug n Play. Fui até lá visitar e me convidaram para o encontro semanal para discussão sobre bitcoins. Toda terça-feira à noite, religiosamente, nos reuníamos e escutávamos experiências de quem estava fazendo investimento em bitcoins, seja através da compra da moeda ou que planejavam lucrar por meio de ssistemas nos quais se podia transacionar a moeda. E o melhor de tudo: tinha pizza de graça nesse lugar.

Eu não fiquei rico com Bitcoins, pois infelizmente apesar de acreditar na tecnologia eu não podia me arriscar deixando de estudar nas horas vagas em um trabalho numa hamburgueria qualquer; eu apostava no Brasil. Mas ao voltar não arrumei um emprego sequer. Por isso, decidi fazer meu próprio site e ganhar dinheiro com ele, é um cursinho online para o ENEM, confiram!

A comida no Vale do Silício, Califórnia

A comida da Califórnia não é das melhores, ela é muito apimentada para o meu gosto de mineiro do interior, que mal molha de pimenta o petisco que acompanha uma chachaça. Todavia, como eu estava em uma das regiões mais ricas dos Estados Unidos, opções de variados restaurantes não faltavam e estes eram uma delícia, pois a competição lá é forte. Contudo, eu não sou rico, não era na época, e continuo sem ser (pelo menos rico de dinheiro). Por isso, eu cozinhava em casa, dessa maneira sobrevivia com apenas 60 dólares por semana, mais o aluguel.

Repúblicas no Vale do Silício

Depois de morar no hostel do Vic por alguns meses. Decidi baixar os custos, aluguel um quarto compartilhado numa república. Ocupei o lugar de um cara do Urduquistão e o dividi com um indiano, que era porco pra cacete. O indiano limpava o nariz no pano de prato, escondia o lixo embaixo da pia, mijava em todos os tapetes do banheiro, usava cotonete e jogava no chão do quarto e pra “finalizar”, sua cama era, sempre, rodeada de casca de banana.

Os outros moradores da república também não eram lá muito higiênicos. Uma era uma simpática lésbica de descendência mexicana e o outro, um alemão que mal falava. Mas o que me deixou mais impressionado foi o fato de as namoradas da lésbica serem lindas, apesar dela não ser bonita, pelo menos para o meu gosto requintado que não curte mulheres masculinizadas (rs).

O alemão era bastante estereotipado: muito calado, na dele e meio grosso. Um dia ele veio reclamar que eu havia emprestado um copo para uma visita beber água. Disse que eu fui sem educação, pois havia etiqueta no copo; respondi que quem era sem educação era ele, por viver num muquifo e nunca ter me ajudado na limpeza, disse-lhe que eu não tinha filho daquele tamanho. Essas discussões são ótimas para melhorar o inglês, porque exigem uma reposta rápida obtida por um ágil pensamento e se tem uma coisa que talvez eu não seja no pensamento, pelo menos em uma parte dele, é ágil, estou sempre necessitando de um café.